Ganhando cabelos brancos antes da hora

Teoricamente minha irmã foi para o exterior fazer trabalho voluntário, mas estou desconfiando que ela foi mesmo é fazer um mestrado em me e...

Teoricamente minha irmã foi para o exterior fazer trabalho voluntário, mas estou desconfiando que ela foi mesmo é fazer um mestrado em me enlouquecer. Já começa ruim quando eu digo que o destino final dela é o Quirguistão. Você já tinha ouvido falar desse país antes? Pois é, nem eu.

Certo, como ela já ia atravessar o Atlântico mesmo, decidiu aproveitar e passar também uns dias na Inglaterra, na casa de uma amiga que está morando lá. Até aí, tranquilo. Ela não mandava muitas notícias para casa, mas aparentemente estava bem. As coisas começam a dar errado quando ela acordou com dor de barriga no dia do voo e não chegou no aeroporto em tempo. E adivinhem quem está sempre passando mal e não levou remédio na bolsa? 

Foi uma cagada das grandes (literalmente), mas compramos outra passagem e deixamos a bronca para quando tudo estivesse resolvido. Ela teria que ir para outro aeroporto e dormir lá, mas é a vida. Nos despedimos antes dela perder o sinal wi-fi e ela ficou de avisar quando chegasse. Muito bem, esperei. E esperei. E esperei. Era para o translado durar duas horas, mas quatro horas depois ela ainda não tinha dado nenhum sinal de estar viva. 

Quando minha mãe já estava para ter uma síncope, recebeu uma mensagem da amiga da minha irmã que estava com ela avisando que recebeu uma ligação da motorista de um ônibus, dizendo que tinha encontrado o celular e o cartão dela no assento. Sim, ela perdeu o celular e o fucking cartão do banco. Quem é que anda na rua com o cartão no bolso da calça, pelo amor de Deus? Felizmente, pouco depois ela chegou no aeroporto e abriu o notebook. Ficamos a par da situação, mas sem poder fazer nada para ajudar. Ela só tinha algumas moedas no bolso, então não podia nem comprar algo para comer. Fiquei no aguardo de mais informações quando o voo dela chegasse em Istambul, onde havia uma conexão.

Há essa altura do campeonato, você, que está lendo isso, já deve poder imaginar: é claro que ela sumiu de novo. Deu o horário que ela deveria chegar no Quirguistão e nada dela aparecer. Consegui falar no facebook com o pessoal esperando por ela no aeroporto, mas o avião tinha chegado e ela não. E a companhia aérea, por questões de segurança, não podia informar se ela tinha mesmo entrado no avião ou o que.

Minha mãe teve um piripaque e quase que destrambelha meu cérebro junto. A única pessoa no Quirguistão que poderia exigir informações da companhia aérea era o cônsul honorário do  Brasil lá, que mal fala inglês, que dirá português. Tentamos falar também com o consulado brasileiro na Turquia e até no Cazaquistão, mas o escritório de ambos ainda não tinha aberto. 

Nesse meio tempo, minha prima estava tentando descobrir se o primeiro voo dela saiu no horário programado. E é obvio que... não. Saiu com quatro horas de atraso, porque estava nevando, e ela não avisou ninguém durante o tempo que esperava. O tempo entre um voo e outro era de pouco mais de uma hora, então ela claramente havia perdido a conexão e estava presa em Istambul.

Finalmente, após horas de agonia, a companhia aérea cansou da insistência e confirmou que tinha levado ela e outros passageiros para um hotel, mas que não podia informar qual. Mais uma hora depois, minha irmã finalmente apareceu no facebook. Aparentemente, levou seis horas entre o pouso atrasado em Istambul e o check-in no hotel. Os outros passageiros ficaram tão irritados que rolou porrada no aeroporto. Uma mulher chegou a estourar uma taça de vidro em um funcionário.

Agora, até onde eu sei, ela finalmente está dentro do avião para o Quirguistão. Devido às circunstâncias, entretanto, eu não vou me surpreender se descobrir depois que ela foi abduzida por duendes de outra dimensão logo após nossa última conversa. O que não resta dúvida é que a cara de alguém vai ser esfolada no asfalto quando aparecer de novo no Brasil.



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2 comentários

  1. poxa, sinto muito fofa. Mas olha só, se é verdade isso de vivendo e aprendendo, esses ultimos dias foram os de maior aprendizado da minha vida, porque eu nunca me fodi tanto em tão pouco tempo antes. Mas agora a urucubaca passou e eu vou ficar bem. Eu sei que meu pedido de desculpas foi muito raso, pode fazer uma crítica dele e postar aqui também.

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    1. Vou resenhar seu pedido de desculpas e -n

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