sábado, janeiro 17, 2015
Resenha: A Festa da Insignificância
sábado, janeiro 17, 2015Autor: Milan Kundera Editora: Companhia das Letras Gênero: Ficção estrangeira, romance Páginas: 136 ISBN: 978853...
Autor: Milan Kundera
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Ficção estrangeira, romance
Páginas: 136
ISBN: 9788535924664
Tradução: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca
Classificação: ★★★★☆ (4/5)
Mais informações no site da editora.
Este livro imediatamente me chamou a atenção
quando o vi na livraria, por ser bonito e elegante. Capa dura, cinta,
diagramação bem feita e papel de gramatura superior. Nenhuma editora esbanjaria
tanta produção em um livro ruim, certo?
Eu já ouvi muito falar de Milan
Kundera, mas nunca havia lido algum livro dele de fato. Como muitas críticas
acusaram A Festa da Insignificância de "não chegar aos pés de A
Insustentável Leveza do Ser", achei que seria uma boa ideia começar por
este e fazer uma leitura sem comparações.
Logo de início eu gostei
muito da forma como o autor escreve. O texto é bonito sem ser rebuscado ou de
difícil entendimento; é simples, mesmo contendo outras mensagens nas
entrelinhas. Também achei muito interessante o modo como as partes do livro são
separadas, como – me explicaram mais tarde – se fosse uma música.
O enredo em si é um pouco difícil de
explicar. Os personagens são amigos criados por um professor – aparentemente, o
próprio Milan Kundera – e todos os acontecimentos giram em torno de situações
do cotidiano, não necessariamente em ordem cronológica. Alguns capítulos se
passam dentro da cabeça dos personagens, o que causa uma confusão inicial antes
dos pontos se ligarem para fazer sentido.
O problema que eu tive com esse
livro foi que, como o próprio autor diz, as gerações que nasceram depois de
Stálin pouco se lembram sobre ele. Muito do humor do livro se perdeu no buraco
entre o que eu deveria saber sobre Stálin e o que eu realmente sei.
De um jeito ou de outro, eu sinto
que a forma como a história é contada, neste caso, é mais importante do que a
história em si. Cada página contém alguma reflexão sobre o mundo contemporâneo,
algumas não compreendidas em uma primeira leitura.
O último capítulo, em especial, você
termina se perguntando "mas o que foi isso que eu acabei de ler...?".
Acho que por isso foi o que eu mais gostei.
